quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Estudo de caso: Renda Fixa x Variável

Para fazer uma comparação entre quem vence entre renda fixa e renda variável decidi fazer 3 exemplos de investidores brasileiros para vermos quem prevalece no médio prazo.

O teste é o seguinte:

1- Aportes mensais de 1000 reais
2- Na renda fixa escolhi CDBs e o valor final é o bruto (porque tive preguiça de tirar o IR final)
3- Prazo de 8 anos de investimento, de jan/2011 até jan/2019
4- Os proventos foram usados para adquirir mais ações

Vamos conhecer nossos investidores:

Jovem recém empregado

Nosso primeiro exemplo é do jovem que acabou de conseguir um emprego em 2011, ano em que o país ainda está bombado, e pensa em investir para alcançar a IF antes do 50. Já vem com um conhecimento ou outro de investimento e escolhe botar 1.000 reais num CDB de rating decente pagando 100% do CDI. Como acredita no potencial produtivo do país também decide comprar mensalmente 1.000 reais em ações da Queiroz Galvão (QGEP3) e espera que a empresa devolva bons resultados no Longo Prazo. Vamos ver como se saiu o nosso rapaz no início de 2019:

Saldo Final do CDB (100% CDI):     R$ 143.788,22    +49%
Saldo Final de QGEP3:                     R$ 123. 195,60   +28%

Crescimento ruim nos últimos 8 anos, talvez nosso amigo deva procurar ativos melhores para chegar rico aos 50.

Tiozão Conserva



O próximo indivíduo é o bom e velho tiozão averso a investimentos de risco. Ele não gosta de bolsa, acha que é cassino e que não tem emocional para ficar vendo ação caindo e subindo o tempo todo. Um dia conversando com o sobrinho recém empregado ele se convence de que vale a pena colocar a ponta do pé no mundo de investimento.

Com um salário farto nos altos de seus 50 anos, decide colocar milzão em um CDB 80% do CDI e outros 1.000 em VALE3, empresa que seu pai trabalhou e que ele ainda lamenta ter sido vendida "a preço de banana" pelo presidente FHC. Vejamos a situação do tiozão:

Saldo Final do CDB (80% CDI):     R$ 131.772,08   +37%
Saldo Final de VALE3:                    R$ 194.718,00   +102%

Tiozão não poderia estar mais feliz com sua aposta, até convida seu sobrinho para fazer um churrascão na sua chácara. O sobrinho por sua vez dá um sorriso amarelo, parabeniza o tio e diz que sua carteira está indo de vento em popa.

Senhorita tudo ou nada


Nossa amiga já não aguenta mais a vida de gado que leva em seu trabalho. Tudo que queria era viver de sua arte, viajando e curtindo a natureza, mas eis ela lá em 2010 mexendo em planilha, lidando com impressora que agarra o papel e colegas de trabalho que acreditam no governo Dilma. 

Ao ver a vida de seu tio conserva, que agora fala em precisar "arrumar esse país", que o Brasil "precisa mesmo é de um presidente militar como antigamente", a Senhorita perde a paciência no jantar de Natal e conversa com seu primo recém empregado sobre o que ela pode fazer para se aposentar logo.

Ouvindo as propostas conservadoras de investimento de seu primo, Senhorita decide que hora do tudo ou nada, pega 1.000 reais e escolhe o CDB de 120% do banco com rating mais baixo possível. Acreditando no poder esotérico do pensamento positivo, decide que sua vida vai alcançar as nuvens, portanto compra mensalmente uma boa smallcap de 2010, GOLL4 . Vejamos se nossa sonhadora chegou lá:

Saldo Final do CDB (120% CDI):   R$ 157.232,05   +63%
Saldo Final de GOLL4:                    R$ 260.347,20   +271%

Conclusão

Jovem agora com uma carreira estabelecida decide parar com investimentos na bolsa e coloca 100% do seu portfólio na renda fixa depois de sua desilusão no mundo dos investimentos. Ainda espera chegar aos 50 aposentado.

Tiozão Conserva explode de alegria no dia 1 de Janeiro de 2019, agora mais rico e com um presidente militar no controle do País. Vende todo seu portfólio de ações da Vale e seus CDBs e compra FJTA3 a R$ 10,30 esperando retornos violentos nos próximos meses. Três semanas depois infarta ao abrir o home broker.

Senhorita imprime seu pedido de demissão, chega na sala do chefe e diz que acabou a vida de senzala. O seu CDBs chegam ao vencimento e para sua surpresa o banco já é pó, deve esperar mais alguns meses até FGC cobrir a bancarrota do banco. Enquanto isso vai para Maromba-RJ, onde conhece uma comunidade alternativa, decide vender seu portfólio e doar o dinheiro para o hospital do câncer. 

Moral da história: Não defendo que se deve ser mais ou menos conservador, só mostrei exemplos do que poderia ter acontecido. Talvez escreva outras histórias em que os resultados se invertam, pois investimento não é algo cartesiano e ninguém sabe o fim das coisas com certeza, portanto não advogo que se siga um lado ou o outro.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Fim do ano e um pouco sobre o sucesso

Esse ano foi de grandes novidades para mim. Eu nunca tinha trabalhado até fevereiro desse ano, passei boa parte dos últimos cinco anos entre estudos da faculdade e estudos para concurso. Depois de 5 anos enfurnado num quarto respirei o ar do mundo real com todas suas crises e alegrias.

Também foi o ano que comecei a investir, montei planilhas, fiz projeções, apostei errado e colhi frutos minguados no final das contas.

Igualmente, comecei a receber o bom e velho salário, a torcer para chegar o dia 5 e montar planilhas de orçamento para ver o quanto sai, o quanto se investe, o quanto leva para o outro mês.

Creio que essa realidade não é diferente de outros bilhões de seres humanos e é fácil deixar essa mudança passar batido, mas gosto de pensar que essa alteração - da vida de jovem sem preocupações para trabalhador de 9-17h - tem profundos efeitos na nossa vida.

Hoje ando com mais confiança sabendo que todo esforço que tive pelos últimos anos me trouxe um cargo com estabilidade e retornos financeiros muito bons. Dinheiro não compra felicidade, isso é um fato indiscutível, mas é pura ingenuidade pensar que viver fazendo conta para não passar necessidade é uma virtude em comparação a ter um bom salário.

Nessa área, eu já estou em paz. Nesse sentido, recomendo a todos que conheço, sobretudo a outros jovens, que considerem "fechar" essa fase da vida antes de se preocupar com outras coisas, pois não há nada mais angustiante do que entrar nos 30, 40 e etc, inseguro sobre sua condição financeira.

Conheço esse problema em primeira mão; tive que conviver com um pai sempre infeliz pela condição financeira estrita, sentimento o qual, mesmo com mais recursos hoje em dia, ele não consegue superar facilmente.

Sucesso é viver seguro da sua situação atual, poder andar por aí de cabeça erguida sabendo que tudo que pôde ser feito, se fez. Errar as vezes vai ser inevitável, a matrix vai te puxar pro caminho mais fácil e só um espírito sábio e resiliente poderá enxergar o fim do túnel.

Desejo que todos possamos ter um ano de 2019 alegre e cheio de vitórias pessoais, em quaisquer áreas que desejarmos (e melhores rentabilidades, por favor!)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Atualização Novembro (-2,05%)

Fala sobreviventes da Matrix, eis que o Bicho voltou depois de uma parada com o blog. O novo trabalho consumiu um pouco da energia e da criatividade para postar novas coisas, mas vou retornar o ritmo em 2019.

Financeiro

QGEP3, que era a estrela da carteira, esse mês trouxe uma naba em virtude do anuncio de Recuperação Judicial de uma das empresas do grupo. Aliado a isso, petróleo tá abaixando, embora a OPEP esteja reduzindo a produção para controlar o preço (nada como um bom e velho oligopólio, não é mesmo).

VISC11 e VIVT3 vão crescendo as poucos.

GRND depende da alta da taxa de juros ou de investimentos, inevitavelmente aumentará um dia.

Comprei UBSR11 que é fundo de papel, pois estão entregando bons alugueis mensais e estava mais barato no P/VPA do que VRTA11. HCRI11 é o hospital do câncer, deu uma caída boa pq o locatário foi inadimplente, mas deve quitar a dívida, com juros, o que pode trazer um yield bom pela frente.




Outubro o otimismo deu uma melhorada na carteira, mas novembro devolveu parte disso. De todo modo, a carteira está com 5% de retração, nada bom, mas o ano foi bosta e cometi alguns erros, com o tempo creio que os retornos melhorarão.



quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Atualização Patrimonial: Setembro (+0,5%)

Fala sobreviventes da Matrix, Nem sempre o Sol brilha; na minha carteira não tem brilhado há um tempo. Mas vamos que vamos, um dia o senhor mercado me olhará com amor.

Financeiro

QGEP3 continua dando uma empinada na carteira, mas as baixas nos demais ativos comprometem a rentabilidade. VISC11 deu uma caída por ausência de novas aquisições, mas este mês de outubro anunciaram novas compras para o Fundo. GRND depende da alta da taxa de juros, inevitavelmente aumentará um dia. VIVT3 tem anunciado bons dividendos e tem expandido no país, só o tempo dirá o seu futuro.



O patrimônio andou de lado este mês, tendo sofrido profundas quedas este ano e subidas tímidas, o que me deixam num consolidado anual de míseros -10%. Não era o que eu sonhava, mas não estamos num país dos sonhos também.



quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Testando aportes dobrados



Fala aí pessoal, se você nunca ouviu falar de aportes dobrados a técnica consiste em fixar um mínimo e máximo que se quer investir e dobrar seus aportes nos meses de baixa na bolsa e cortar pela metade nos meses de alta. O objetivo é evitar colocar muito dinheiro na bolsa nos períodos de alta.

O método que testei foi o seguinte:

- O indivíduo pode aportar no mínimo 1.000 e no máximo 8.000. Inicio com 1000 reais, dobro na baixa, até o limite de 8000, e corto pela metade na alta.

- Comparei este método ao de outra pessoa que invista exatamente a média da hipótese 1

- O período considerado foi de jul/13-jul/18, não foram incluídos pagamento de dividendos

- Busquei verificar empresas boas (GRND3, QGEP), empresas com alta valorização (SLCE3), um mico (FRTA3) e o próprio IBOV.

Eis os resultados da carteira de quem investiu nas seguintes empresas:

Dobrados        Fixo

GRND3

43%

35%
QGEP3 77%69%
VIVT3 9%7%
KROT3 -3% -5%
SLCE3 174% 153%
FRTA3 -56%-69%
IBOV 46% 39%

Os resultados demonstram que o método dos aportes dobrados vence o de aportes fixos nesta faixa de preços. A técnica é vantajosa para aportes mais altos, testando com valores entre 100-800, os aportes fixos vencem, portanto caso queira usar este método é bom selecionar sua faixa de preço e realizar os testes.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Atualização Patrimonial: Julho (+1,53%)

Fala sobreviventes da Matrix, mais um mês lidando com o mercado financeiro de buy and hold. Vamos aos números

Financeiro

Julho não aportei em nada além do colchão de segurança, que não divulgo por não ser investimento por definição. Ainda assim, o mês foi tímido nas subidas, embora QGEP3 tenha ido bem alto até dar uma recuada ao fim de Julho.



O patrimônio subiu legal esse mês, mas no consolidado tá patinando:



terça-feira, 17 de julho de 2018

O mundo concurseiro da próxima década

Sou concursado, aprovado num certame para um cargo de "alto nível" como gostam de denominar algumas carreiras. Já fiz prova para diversas áreas, entrei no Serviço Público numa das maiores secas da história dos Concursos Públicos e meu objetivo é dividir algumas perspectivas para o futuro da Administração Pública, com o olhar de quem já esteve do lado de fora, e de quem hoje assiste o circo por dentro.

A finansfera objetiva discutir finanças, dinheiro, independência financeira. Estes assuntos são intimamente ligados a formas de ganhar dinheiro, que aqui no Brasil se resumem a empreender e ser servidor público. CLT tem algumas histórias de sucesso, mas sinceramente não conheço ninguém da minha geração que tenha deslanchado como empregado.

Sendo assim, vamos fazer um panorama do que foi e do que será do mundo concurseiro daqui pra frente.

O Passado



Década de 90 foi o início da experiência brasileira com o concurso público como regra. Muita gente entrou no tapetão. Depois da promulgação da 8.112 a coisa foi se arrumando, mas muita gente incompetente ainda conseguiu seu lugar ao Sol. É a geração dos funças lixos que temos o desprazer de conhecer, obviamente com as devidas exceções.

Quem resolve provas da década de 90 se impressiona pela facilidade do conteúdo, mas é bom lembrar da escassez de material, era tudo na base de apostila e livros da década de 80. No geral, não houve muito concurso e os salários foram congelados por anos. Algumas carreiras foram totalmente sucateadas, vide bancos e militares. Enfim, década bosta.

Odeiem Lula o quanto quiserem, a verdade é que a década de 2000 foi uma piracema de vagas no Serviço Público. O otimismo econômico e os gastos significativos do governo do PT para melhorar as carreiras federais tornaram a década de 2000 a Golden Age do Serviço Publico. Quem entrou, entrou, muitos guerreiros da década de 90 conseguiram seu lugar em concursos com centenas de vagas, benefícios a rodo.

Obviamente a peneira ficou mais fina, o conteúdo se tornou gradativamente mais difícil e, após a difusão da internet, as bancas passaram a pesar a mão, sem dó nem piedade. O volume de conteúdo se tornou absurdo, muitas carreiras se aglutinaram (vide fusão RF+INSS), e os materiais de concurso foram despejados no mercado. O frenesi concurseiro parecia não ter fim, até que na eleição de 2008 o Brasil assinou seu tratado com o fracasso...

A década lixosa

Transporte público em dia de concurso 

Muita gente entrou na década de 10 com otimismo pro futuro concurseiro, ainda eram abertos bons concursos com a área fiscal borbulhando. A partir de 2012 a torneira começou a fechar, concursos dados como certos foram sendo prorrogados, concursos "reloginhos" não aconteciam. Por outro lado a pressão do mercado concurseiro continuou enorme, mais e mais sardinhas se aglomeravam na rede concurseira.

O banquete nunca veio, desde 2012 o declínio no número de concursos, e de vagas, é evidente, entretanto muita gente não acordou. Hoje a peneira é forte, o conteúdo absurdo e, se alguma vantagem há, é a esperança de quem os nomeados estão realmente preparados para o desafio do funcionarismo público.

A União está enxutando sua administração, sem chances de concursos com muitas vagas por um bom tempo. Estados têm sofrido com a crise. Muita gente esquece dos Municípios, mas são neles onde as oportunidades estão mais plausíveis, fique de olho nos editais que aparecem, quase toda semana sai algum concurso para sua região.

A próxima década

Foto ilustrativa de servidores públicos da década de 20

A informatização já é uma realidade, isso tem impacto no Serviço Público retirando a necessidade de uma penca de funcionários, especialmente na área de fiscalização tributária e na área administrativa em geral, em qualquer dos poderes.

Outro novo desafio diz respeito à terceirização que tem aos poucos se embrenhado no Serviço Público. Creio que na década seguinte novas leis ampliarão este processo, diminuindo a necessidade de servidores ao utilizar serviços privados para atender necessidades públicas.

O que fazer então? Penso que a melhor solução é sair totalmente da área concurseira administrativa, pois é a mais suscetível à terceirização e informatização. O concurseiro da década de 20 deve focar em carreiras tipicamente públicas, a citar: Segurança, fiscalização, diplomacia, judiciário. Embora algumas parcelas possam ser terceirizadas, é improvável que o Estado abdique plenamente destas áreas.

Por fim, se seu desejo é ser servidor largue a mentalidade de preguiçoso, mais do que nunca o Serviço Público é uma peneira cruel, não vai dar oportunidade pra quem fica trocando de área toda vez que o cursinho pega-otário publicar que há um chance remota de sair um concurso. Disciplina, esforço e foco vão te colocar na nata e a chance vai chegar.